30
Ago 10PESSOAS

Gosto muito de pessoas. Cheguei a essa constatação ao perceber como reparo demais em cada rosto na rua e como me agonio de estar em multidões, como se ali tivesse informação visual demais, ou no popular, “gente demais pra eu olhar”. Meu caso não é simplesmente reparar belezas ou defeitos, e sim entender a riqueza de detalhes ou histórias que cada traço pode me contar.
Esse exercício tem um muito de preconceito. Vamos chamar de “pré-concepção”, para não soar tão pejorativo. Buscar entender ou avaliar alguém que nunca vimos na vida envolve um boa dose disso, além de imaginação em decodificar o que os estímulos visuais captam e de que forma decodificar isso em conceitos. A pessoa pode ter “cara de que não saber lidar com finanças”, um andar de “me invejem, sou feliz no meu casamento” ou uma “pinta de ser bom desportista”. Nossa matéria sempre tem muito a dizer, e traçar esses parâmetros é um divertido jogo de adivinhação quando se trata de uma pessoa que acabamos de conhecer (e teremos a oportunidade de conhecê-la melhor). Podemos constatar os palpites, ou ter gratas surpresas com os chutes furados.
É bom também ouvir histórias. Essas de interior, de pessoas simples mas que tem mais domínio da lábia do que muita gente letrada e estudada. Que sabe como falar, como envolver um enredo do início ao fim. Gosto de uma boa conversa, e de ouvir uma boa história. É bom sentir que pode aprender com as pessoas, independente do grau de instrução, idade, ou o quanto ela é ou vai ser relevante na nossa vida. Tem palavras que em um único momento ficarão gravadas pelo resto da existência.
Talvez por tudo isso agora eu entenda meu receio da morte. Não a minha…pois encerra minha existência aqui e pronto. Mas enterrar alguém representa perder definitivamente a presença, o olhar, os gestos, as histórias…incomoda demais saber que acabou. Estou lidando com isso nesse momento e tudo o que penso é “vamos fazer um filme?”. É uma boa registrar pequenos momentos para mostrar como em 2010 uma pessoa foi um dia…No mundo somos bilhões, mas cada um que vai leva uma chuvinha de lágrimas. Deixar cenas gravadas é um belo legado para gerações que podem nem vir a nos conhecer.
Obs: Desenhos adaptados de uma campanha criada para a Loja Colabora.










